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CAPES abre edital de R$ 1,4 milhão por projeto para cooperação internacional na pós-graduação

Dario Montelli
Por Dario Montelli
julho 14, 2026
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7 Min de leitura
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Novo edital da CAPES oferece bolsas de doutorado sanduíche e pós-doutorado para parcerias entre universidades brasileiras e instituições da América Latina.

Contents
Como funciona o financiamento do editalQuem pode participar e quais bolsas estão disponíveisO que muda para a internacionalização da pós-graduação brasileira

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) publicou o Edital nº 17/2026, voltado a projetos conjuntos de pesquisa entre programas de pós-graduação brasileiros e universidades associadas ao Grupo Montevidéu (AUGM). A iniciativa busca ampliar a cooperação acadêmica entre o Brasil e países vizinhos, especialmente no que diz respeito à mobilidade de pesquisadores e à internacionalização dos cursos de mestrado e doutorado do país. As inscrições ficaram abertas até as 17h do dia 2 de julho de 2026, prazo que já se encerrou, mas o edital segue relevante porque define como funcionarão os próximos quatro anos de parcerias selecionadas. Para muitos coordenadores de programas, esse tipo de chamada representa uma das principais portas de entrada para financiamento internacional fora dos canais tradicionais de bolsas domésticas.

A dúvida mais comum entre estudantes e pesquisadores é entender exatamente quem pode participar e como o dinheiro é distribuído ao longo do projeto. Também surge a pergunta sobre o que muda na prática para quem sonha em fazer parte de uma pesquisa internacional financiada pelo governo brasileiro. Este texto explica os critérios de elegibilidade, o funcionamento do financiamento e os tipos de bolsa oferecidos.

Como funciona o financiamento do edital

Cada projeto selecionado pode ter duração de até quatro anos, com atividades previstas para começar em janeiro de 2027. Existe uma avaliação intermediária no segundo ano, que decide se a parceria continua até o fim do prazo original. O valor total por projeto pode alcançar R$ 1.400.785,32, distribuído em diferentes finalidades ao longo do período. Até R$ 10 mil por ano são destinados à manutenção básica do projeto, enquanto até R$ 50 mil cobrem missões de trabalho entre as instituições parceiras.

A maior fatia do orçamento, que pode chegar a R$ 290.196,33, é reservada para bolsas de estudo. Essas missões de trabalho têm duração de sete a dez dias e permitem que docentes e pesquisadores viajem entre as instituições associadas para reuniões técnicas e atividades de pesquisa conjunta. O modelo de financiamento fracionado ao longo dos quatro anos ajuda os programas a planejar o uso dos recursos sem depender de um único repasse inicial.

Um ponto que costuma gerar dúvida é o limite de bolsas concedidas por ano. Cada projeto pode oferecer até seis bolsas anuais, sendo obrigatória a concessão de pelo menos duas delas a estudantes mulheres durante toda a vigência da parceria. Essa regra reflete uma preocupação recorrente em editais recentes da CAPES com a equidade de gênero na distribuição de oportunidades acadêmicas internacionais.

Quem pode participar e quais bolsas estão disponíveis

O edital prevê diferentes modalidades de bolsa, dependendo da direção do fluxo acadêmico. Para pesquisadores brasileiros, existem bolsas de doutorado sanduíche e de pós-doutorado no exterior, permitindo que parte da formação ou da pesquisa seja realizada em uma das universidades da AUGM. Já para estrangeiros, o edital oferece bolsas de mestrado sanduíche, doutorado sanduíche e pós-doutorado para atuação em instituições brasileiras. Em ambos os casos, a duração das bolsas varia de três a dez meses, conforme a etapa da pesquisa e o acordo entre as instituições envolvidas.

Nem toda instituição brasileira pode assumir o papel de proponente principal do projeto. A regra exige que a instituição tenha ao menos um programa de pós-graduação em nível de doutorado com nota igual ou superior a 4 na última avaliação da CAPES. O coordenador brasileiro responsável pela proposta também precisa atender a critérios específicos: deve ser doutor há pelo menos cinco anos e ter vínculo permanente com a instituição que apresenta o projeto.

As propostas podem ser bilaterais, envolvendo apenas duas instituições, ou multilaterais, reunindo até quatro instituições brasileiras associadas além da proponente principal. Essa flexibilidade permite que programas menores participem de parcerias maiores sem precisar liderar sozinhos toda a articulação institucional. Para programas que já mantêm intercâmbio informal com universidades latino-americanas, o edital funciona como uma via de formalizar e financiar cooperações que já existiam de maneira mais modesta.

O que muda para a internacionalização da pós-graduação brasileira

Editais como este fazem parte de uma estratégia mais ampla da CAPES para reduzir a dependência de parcerias apenas com Europa e América do Norte, historicamente os destinos mais comuns de doutorado sanduíche brasileiro. A aproximação com universidades do Grupo Montevidéu, que reúne instituições da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, entre outros países, aposta na proximidade geográfica e cultural como vantagem para projetos de pesquisa conjunta. Para estudantes de doutorado, isso pode significar mais opções de destino para o período sanduíche, com custos de deslocamento menores do que uma temporada na Europa.

A médio prazo, o resultado dessas parcerias deve aparecer na próxima avaliação quadrienal dos programas de pós-graduação, já que a inserção internacional é um dos critérios considerados pela CAPES na atribuição de notas. Programas que conseguem demonstrar cooperação efetiva com instituições estrangeiras tendem a se beneficiar nesse quesito. Para quem acompanha o sistema de pós-graduação brasileiro, o Edital 17/2026 é mais um sinal de que a internacionalização segue sendo prioridade na política de fomento à pesquisa do país, mesmo em um cenário orçamentário que exige critérios cada vez mais rígidos de elegibilidade institucional.

Quem tiver interesse em participar de futuras edições de editais semelhantes deve acompanhar diretamente a coordenação do próprio programa de pós-graduação, já que a submissão da proposta cabe à instituição e não ao pesquisador individualmente. Ficar próximo do coordenador e das áreas de relações internacionais da universidade costuma ser o caminho mais eficiente para conseguir uma vaga nessas parcerias. Mais detalhes sobre o edital estão disponíveis no site da CAPES.

Fontes consultadas: CAPES, Plataforma 9

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