Astrônomos confirmaram a existência de Elias 2-24 b, considerado o exoplaneta mais jovem já detectado. Com idade estimada inferior a 1 milhão de anos, o corpo celeste ainda está em processo de formação e permanece envolvido pelo disco de gás e poeira que circunda sua estrela. A descoberta foi divulgada em setembro de 2026 por instituições envolvidas no estudo.
O objeto tem massa semelhante à de Júpiter e está localizado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra. Diferentemente de muitos exoplanetas observados quando já estão maduros, Elias 2-24 b oferece aos pesquisadores a oportunidade de acompanhar uma etapa inicial da evolução de um planeta gigante, período em que ele ainda pode estar incorporando material de seu ambiente.
Um planeta escondido em um disco protoplanetário
Elias 2-24 b foi identificado em uma lacuna do disco protoplanetário de sua estrela, Elias 2-24. Essa estrutura já havia sido observada com dados do radiotelescópio ALMA, que permite investigar a distribuição de gás e poeira ao redor de estrelas jovens. A presença de uma abertura no disco levantou a possibilidade de que um planeta estivesse interferindo no material ao seu redor.
O planeta está a cerca de 55 unidades astronômicas de sua estrela. A distância é superior à órbita de qualquer planeta do Sistema Solar em relação ao Sol, o que torna o sistema especialmente relevante para os estudos sobre a formação de mundos gigantes em regiões externas. Segundo os pesquisadores, Elias 2-24 b parece estar acumulando material do disco que o envolve.
A confirmação resultou da combinação de observações realizadas por diferentes instrumentos. A equipe utilizou dados do telescópio Keck, no Havaí, do Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul, e registros arquivados obtidos em 2018 e 2020. A análise do movimento do objeto ajudou a mostrar que ele não era apenas uma falha de imagem ou uma estrela localizada ao fundo.
Como os cientistas confirmaram o exoplaneta
Em astronomia observacional, identificar um ponto luminoso próximo de uma estrela não é suficiente para comprovar a existência de um planeta. O objeto pode ser resultado de ruído, de limitações do processamento das imagens ou de um corpo celeste que esteja muito mais distante. Por isso, os pesquisadores compararam observações feitas em momentos distintos e verificaram o deslocamento compatível com a órbita ao redor de Elias 2-24.
O caso também evidencia a importância dos arquivos científicos. Parte dos dados decisivos havia sido coletada anos antes da confirmação, mas ganhou novo valor quando foi reprocessada e comparada com observações mais recentes. O trabalho mostra como técnicas de análise e a integração de informações de diferentes observatórios podem revelar fenômenos que não foram totalmente compreendidos no momento da coleta.
O W. M. Keck Observatory informou que o exoplaneta foi encontrado em dados do observatório, enquanto informações da NASA destacaram o recorde de idade. A pesquisa envolve uma equipe internacional liderada por pesquisadores vinculados à Universidad Diego Portales, no Chile.
Descoberta desafia modelos de formação planetária
A existência de Elias 2-24 b nessa fase tão inicial apresenta um desafio para os modelos atuais de formação planetária. A teoria de acreção do núcleo descreve um processo no qual partículas e materiais presentes no disco se agregam gradualmente, formando primeiro um núcleo que pode capturar grandes quantidades de gás. O tempo e as condições necessários para esse crescimento ainda são temas de investigação.
A combinação entre a idade extremamente baixa, a massa semelhante à de Júpiter e a localização a 55 unidades astronômicas levanta questões sobre a velocidade com que planetas gigantes conseguem se formar. Os dados disponíveis não encerram o debate, mas fornecem uma oportunidade rara para testar hipóteses sobre a origem e a evolução desses objetos em regiões distantes de seus sistemas.
O estudo foi publicado em setembro de 2026 no periódico The Astrophysical Journal Letters. A pesquisa é apresentada no preprint Searching for Embedded Protoplanets with the Keck/NIRC2 Vortex Coronagraph. Comunicados da Universidad Diego Portales e do Instituto de Estudios Astrofísicos também detalharam a participação da equipe chilena.
Além de estabelecer um novo marco para a detecção de exoplanetas jovens, Elias 2-24 b pode ajudar a aproximar os modelos teóricos das observações reais. Ao estudar um planeta que ainda interage com o material de seu disco protoplanetário, os astrônomos conseguem investigar uma fase normalmente difícil de observar e ampliar o conhecimento sobre como sistemas planetários se organizam no início de sua história.
